Afeganistão: Onde impérios vão para se aposentar (ou morrer tentando)

Africa do Sul

O Afeganistão é aquele pedaço de terra montanhosa que parece ter sido projetado pelo destino para testar a paciência dos impérios. Geograficamente, fica no coração da Ásia Central; historicamente, no coração das dores de cabeça de qualquer potência estrangeira que tenha ousado meter-se por lá. Não é exagero dizer que, desde os tempos de Alexandre, esse país funciona como um verdadeiro cemitério de ambições imperiais.

A história começa com os antigos povos arianos e persas, passa por Dario e o Império Aquemênida, e dá boas-vindas a Alexandre, o Grande, que tentou civilizar o lugar a golpes de lança. Mais tarde, Gêngis Khan resolveu passar por lá, e, como de costume, não deixou muita coisa de pé. Séculos depois, o território se tornou peça de barganha entre persas, mogóis e tribos locais. Em 1747, Ahmad Shah Durrani fundou oficialmente o Estado afegão moderno, embora “moderno” seja um termo otimista quando falamos de guerras tribais, chefes locais e fronteiras desenhadas na régua por colonizadores.

No século XIX, o Afeganistão entrou naquilo que a História chama de “O Grande Jogo”: russos de um lado, britânicos do outro, disputando quem teria a sorte (ou o azar) de controlar o país. Os britânicos invadiram três vezes, e em todas acabaram saindo de lá com o rabo entre as pernas. O Afeganistão ganhou fama de ser impossível de domar, uma reputação que só cresceu com o tempo.

Já no século XX, houve um breve período de monarquia tentando se modernizar, mas o roteiro logo descambou para golpes, revoluções e, em 1979, a invasão soviética. O exército vermelho descobriu rapidamente o que os britânicos já sabiam: lutar contra tribos montanhosas que conhecem cada pedra e cada vale é receita para desastre. Após dez anos, os soviéticos bateram em retirada, deixando o palco montado para a ascensão dos mujahidins, e depois do Taliban, que, nos anos 1990, transformou o país numa distopia religiosa.

Os ataques de 11 de setembro de 2001 levaram os Estados Unidos a invadir o Afeganistão prometendo democracia, reconstrução e liberdade. Vinte anos, bilhões de dólares e milhares de soldados depois, a cena final foi digna de tragicomédia: em 2021, o Taliban voltou ao poder praticamente do mesmo jeito que havia saído.

Personagens não faltam: Ahmad Shah Durrani, herói fundador; Mullah Omar, símbolo do Taliban; Hamid Karzai e Ashraf Ghani, governantes que nunca conseguiram se equilibrar no caos. O Afeganistão, no fim, é um país de montanhas deslumbrantes, povos resilientes e histórias que fazem qualquer manual de geopolítica parecer ficção barata.

Moral da história? Invadir o Afeganistão é como tentar conquistar o Wi-Fi de vizinho com senha complicada: você pode até gastar energia, mas no fim só vai passar vergonha.

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