Há países grandes e países enormes. No entanto, o Cazaquistão destaca-se em toda a Ásia Central. Com cerca de 2,7 milhões de quilómetros quadrados, é o maior país do mundo sem saída para o mar. Além disso, ocupa o nono lugar no planeta em território.
A sua dimensão colossal torna qualquer viagem numa experiência geográfica impressionante. Afinal, a paisagem junta estepes intermináveis, desertos, montanhas e grandes lagos. Por outro lado, a sua posição no mapa é estratégica. Trata-se do único país da região que faz fronteira com a Rússia e a China.
Das origens nómadas ao domínio imperial russo
Durante séculos, este vasto território foi o domínio de sociedades nómadas. Consequentemente, povos túrquicos, mongóis e cazaques transformaram a mobilidade num estilo de vida. Nessas planícies infinitas, os rebanhos eram mais importantes do que fronteiras fixas. Em seguida, o Canato Cazaque consolidou-se no século XV como a principal força regional.
Contudo, a expansão do Império Russo alterou esse equilíbrio a partir do século XVIII. Assim, o território foi progressivamente incorporado no império czarista. Em 1936, o Cazaquistão tornou-se uma república soviética. O período soviético trouxe industrialização, mas também causou uma tragédia demográfica com a coletivização forçada.
Testes nucleares, corrida espacial e a independência
O século XX deixou marcas profundas no país. Por exemplo, a União Soviética instalou o complexo de testes nucleares em Semipalatinsk. Centenas de explosões afetaram populações inteiras durante décadas. Por outro lado, o Cazaquistão acolheu o cosmódromo de Baikonur.
Foi dali que descolaram o Sputnik 1 e o astronauta Yuri Gagarin. Desta forma, o país viveu os avanços espaciais ao mesmo tempo que sofria com a radiação. Finalmente, o Cazaquistão declarou a independência em 16 de dezembro de 1991. Nursultan Nazarbayev assumiu a liderança do novo Estado.
Riqueza mineral, energia e a nova capital Astana
A independência trouxe o desafio de gerir um cofre de recursos naturais. O país possui reservas gigantescas de petróleo, gás, urânio e carvão. Por exemplo, o campo de Kashagan tornou-se crucial para a indústria energética mundial. Além disso, o país lidera a produção global de urânio.
Com o intuito de projetar modernidade, a capital foi transferida para Astana. A cidade destaca-se pelos seus arranha-céus futuristas e arquitetura arrojada. Portanto, a nova capital funciona como uma afirmação de ambição e desenvolvimento. Ela demonstra que o Cazaquistão quer preencher o seu imenso espaço com inovação.
Diplomacia multi-vetorial e o papel na Eurásia
Atualmente, a localização geográfica do Cazaquistão continua a ser uma grande vantagem. O país situa-se entre potências globais como a Rússia e a China. Por essa razão, Astana desenvolve rotas comerciais como o Corredor Médio. Esse trajeto liga a China à Europa através do Mar Cáspio.
Além disso, o governo pratica uma diplomacia equilibrada com vários blocos. O país mantém laços com Moscovo, Pequim, União Europeia e Estados Unidos. Em suma, o Cazaquistão é uma verdadeira potência territorial e energética. O gigante das estepes transformou a sua herança nómada e soviética num futuro de relevância global.

