João Silva, 45 anos, natural de Safara, aquário com ascendente em carneiro e viciado em cigarros eletrónicos. A minha paixão pelos ovnis começou há muito tempo desde que os Teletubbies passaram na televisão: depois de conhecer Tinky Winky, Dipsy, Laa-Laa, e Po eu quis conhecer outros mundos. Mas não posso esquecer as personagens da série Dragon Ball que explodiram em mim definitivamente essa vontade. Montei então um posto de observação na varanda de forma a conseguir vigiar o céu e captar movimentos de ovnis. Confesso que os primeiros dez anos da experiência foram uma desilusão pois a única coisa que me aparecia eram gatas com o cio miando em cima dos telhados. E moscas varejeiras. Mas a persistência viria a compensar-me e eu acabaria por ter finalmente o meu primeiro contacto com um ovni. Lembro-me como se fosse hoje a noite em que do céu começou a descer uma luz verde choque florescente. Ao início, ainda desconfiado dos constantes fracassos, pensei ser uma festa de passagem de ano apesar de estarmos em Agosto. Mas não! Eles andavam aí! Nisto a nave aproximou-se do meu quintal, estacionou de marcha-atrás entre duas laranjeiras à segunda tentativa e saíram dois indivíduos verdes, por aí com dois metros e vestidos com calças de ganga com rasgões. O que mais me fez confusão foi quando eles engataram a marcha-atrás e se ouviu aquele barulho característico dos camiões quando fazem marcha-atrás: “bip-bip-bip-bip”. Nisto. Já cá fora, um deles, com uns óculos escuros RayBan modelo aviador originais, olha para mim e diz-me “ó chefe, onde é que podemos comprar tabaco a esta hora?”. E digo-lhe eu “olhe que a esta hora está tudo fechado! Só se for às bombas de gasolina em Beja!”. “Então e não tem aí um cigarrinho que dê à gente para o caminho até Beja?” refutou o segundo elemento. De boa vontade lhes disse que só tinha um cigarro eletrónico ao que eles responderam “ah, não obrigado, isso não está cientificamente comprovado se faz mal ou não!”. Agradeceram, e um olhou pró outro e disse “agora conduzes tu que eu já bebi três Malibu Cola e costumam estar a mandar parar nas rotundas à entrada de Beja”. Nisto meteram-se dentro da nave, meteram os cintos de segurança, puseram o motor a trabalhar e arrancaram fazendo fumo ao ponto que pareciam um Seat Ibiza 1900 TDI todo kitado a puxar numa auto-estrada alemã. Fiquei parvo como é que uma civilização tão avançada ainda usa motores a gasóleo. E pronto, foi assim a maior experiência da minha vida.
Crónica de Ivan Valério: O caçador de ovnis
