Januário Henriques, 57 anos, sofro de hemorroidal, nascido num palheiro na aldeia de Santa Vitória do Ameixial, Estremoz. Despertei para o mundo da fé com 15 ou 16 anos quando tive um acidente de carroça puxada por burros mesmo só em t-shirt. Como era mau aluno a Matemática e não tinha cabeça para ir para o Seminário tive que me dedicar a ser sacristão. Sou, segundo um estudo internacional, o único sacristão do mundo Católico que não bebe vinho. E por não beber o vinho dos senhores padres sou desejado por centenas de paróquias no país e até uma de Espanha. E mais! O Vaticano já quis pagar à paróquia de Estremoz 155 euros pela minha transferência, mas na altura não se entenderam com o meu empresário, o Jorge Mendes. Não tenho nada contra o vinho mas como me provoca uns gases muito fortes e não convém um indivíduo bufar-se na missa passei a optar pelos refrigerantes. Ao principio metia-me no Sumol de laranja, ainda andei pela Coca-Cola e agora sem dúvida que o meu favorito é o sumo de ananás de marca branca do Intermarché. E como é óbvio o senhor padre está sempre muito contente comigo porque sabe que não lhe mamo o vinho às escondidas. O meu sonho é tirar um curso superior na área do Turismo em pós-laboral e ir para conselheiro do Papa orientando-o nos seus passeios pelo mundo. Gostava também de fazer voluntariado nos Alcoólicos Anónimos incentivando-os ao consumo de sumos. Sem esquecer os jovens que em redor do mundo se estragam com bebidas alcoólicas a quem gostava de dar uma palavrinha de esperança.
Crónica de Ivan Valério: O sacristão que só bebe refrigerantes
