Olá, sou o Francisco Samouco, moro em Moura e o meu gelado favorito é o EPA por causa da pastilha no fim. Quando não há EPA costumo comprar Magnum de amêndoa. Desde pequenino que sempre gostei de espelhos, imitando muitas vezes estrelas da música internacional no espelho do guarda-fato, e um dia enquanto estava no espelho do carro espremendo uma borbulha tive uma ideia genial. Na altura partilhei com várias pessoas e todos ficaram fascinados. A ideia é simples: pego num espelho e coloco-me em cruzamentos perigosos do bairro da Salúquia para evitar acidentes. E assim viria a nascer uma ideia milionária: depois de iniciar atividade em um dos cruzamentos, ainda com um espelho rudimentar que recebi de herança da minha avó, a ideia original atraiu novos interessados ao ponto de me possibilitar de abrir um franchising e vender a outros empreendedores o direito de trabalhar com espelhos nas outras dezenas de cruzamentos do bairro e até já em cruzamentos no Algarve. E como funciona este serviço? Perguntam vocês. É fácil: Um individuo mete-se com o espelho nos cruzamentos complicados, o automobilista vem circulando na sua viatura e antes do cruzamento para o carro, paga-nos uma caução de um euro, volta ao carro e usufrui do nosso espelho, atravessando desta forma o cruzamento de uma forma segura. Isto, quando eu comecei foi sem dúvida uma das ideias mais inovadoras desse ano. Hoje, em pleno 2019, recebo contactos de todas as partes do mundo para lhes vender os segredos desta tecnologia. Os meios de comunicação social falam que tecnologia como a Via Verde foi inventada em Portugal, ou até mesmo que temos um dos sistemas Multibanco mais avançados do mundo mas despreza empresários como eu que através da criação de produtos tecnológicos únicos no mundo carregam Portugal para patamares superiores no que à ciência e tecnologia diz respeito. É revoltante!
Crónicas de Ivan Valério: O homem do espelho
