O que aconteceu quando morreu o carneiro

Carneiro

Era uma vez, um pastor que tinha, naturalmente, um rebanho de ovelhas e o respectivo carneiro para assegurar a continuidade do rebanho. Ora aconteceu um dia uma fatalidade ao carneiro. Deu-lhe uma doença qualquer e morreu, facto que deixou o pastor muito aflito. Foi então ter com um pastor vizinho e contou-lhe o sucedido: Amigo Chico, nem queira saber, estou muito preocupado pois morreu-me o meu carneiro e está a aproximar-se a época do cio por isso vim falar consigo a ver se me emprestava o seu carneiro para fazer a cobrição das ovelhas senão fico desgraçado”. O compadre tentou consolá-lo: “Ó compadre Maneli, não precisa ficar assim preocupado. Olhe não lhe posso emprestar o carneiro porque também não o tenho nem preciso”. O Manuel ficou intrigado e perguntou: “Não precisa? Mas que história é essa? Então como é que faz?”. O compadre Francisco lá lhe explica: “É muito simples. Quando chega a época agarro nas ovelhas, levo-as para o monte, para um sítio assim a modos que isolado, que não tenha ninguém à volta, entende? E depois sou eu próprio que faço a cobrição, simples!”. Admirado o Manuel pergunta: “Não me diga, compadre! E isso resulta? E como é que sabe depois quais são as ovelhas que estão cobertas?”. O Francisco explica: “Se resulta! E é muito simples, de manhã levanto-me e vou à janela. As ovelhas que estiverem ao sol, não ficaram cobertas. As que estiverem à sombra, ficaram!”. O pobre pastor, desesperado e acreditando naquelas tangas todas, assim fez. Meteu as ovelhas todas em cima da camioneta e levou-as para o monte onde ele próprio se dispôs a fazer o serviço que deveria ser feito pelo carneiro. Chegou a casa estafadíssimo e tarde, já se vê, e nem quis comer nem nada. A mulher ficou um pouco admirada mas não disse nada. Até que no outro dia de manhã mais admirada ficou quando já o dia ia avançado e o marido ainda a dormir, nem tinha feito a ordenha nem nada. Ela vai ao quarto e grita: “Ó Maneli! Acorda hóme que já é tarde!”. Ele só abre um olho e diz: “Ó Maria já vou. Olha faz-me um favor, vai ali à janela e diz-me quantas ovelhas estão à sombra!”. A mulher espreita e diz: “Olha, à sombra não está nenhuma. Estão todas ao sol”. Não tinha dado resultado. De modo que, toca a carregar novamente as ovelhas para cima da camioneta e lá vai ele monte acima até um sítio isolado e toca de … bem, já sabem a fazer o quê às pobres das ovelhas. Volta a casa ainda mais fatigado, chegou e pôs-se logo a dormir, a mulher já começava a desconfiar, mas mesmo assim não se manifestou. De manhã, já tarde, meio ensonado, diz para a mulher: “Ó Maria, vê-me lá se está alguma ovelha à sombra e vem-me dizer”. A mulher vai lá ver e depois diz-lhe: “Ó Maneli, não está nenhuma nem à sombra nem ao sol! Estão todas em cima da camioneta!”.

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