Ontem, nesta história das origens e evolução das feiras vimos que a afirmação das feiras medievais indicou o momento em que ressurgiu o comércio na Europa e desse modo, com a reabertura do Mar Mediterrâneo a partir das Cruzadas, os europeus puderam vivenciar um maior contacto com o Oriente, de onde chegavam mercadorias raras e exóticas (cravo, canela, pimenta, seda, perfumes, porcelana). Registrou-se, assim, o chamado Renascimento Comercial, uma vez que esses produtos começaram a ser vendidos nas feiras que surgiam nas cidades que então “renasciam”. Foram chamadas de “burgos”, em virtude de seus muros fortificados, e os habitantes de “burgueses”, termo que posteriormente se aplicaria especificamente aos comerciantes enriquecidos com essas práticas comerciais. Há relatos que durante a realização das feiras medievais, interrompiam-se guerras; a paz era garantida para que os vendedores, dispostos lado a lado, pudessem trabalhar com segurança. Da mesma maneira, guardas vigiavam todo o perímetro do local do evento, de modo a evitar que algum desordeiro pudesse causar incómodos àqueles que por ali passavam e desejavam efectuar as suas compras. Os mercadores medievais realizavam as suas transações comerciais e intermediavam trocas numa actividade eminentemente itinerante. As feiras medievais também impulsionaram a criação e circulação de moedas, mas isso vamos ver melhor na edição de amanhã do Sete Minutos aqui na Feira de São João.
Origem e Evolução das Feiras – Actu II
