Se o padroeiro de Évora é S. Pedro, porque se chama esta Feira de S. João? Certamente que muitos já se questionaram sobre o porquê do nome desta feira, mas para responder é necessário voltar atrás no tempo. João Baptista, precursor da pregação de Jesus (a quem baptizou no Rio Jordão) é considerado no Alentejo “um Santo Máximo” e já adorado desde tempos remotos. Os Alanos, uma tribo proveniente da Ásia Central e Europa Oriental, que ocupavam nos princípios do Séc. V a Península Ibérica, celebravam uma festa no solstício de Verão para comemorar a vinda da estação das chuvas. Em 411, este povo ocupou a Lusitânia e acabou por cristianizar a sua festa com o nome de S. João. A festa e o nome conseguiram resistir à ocupação Muçulmana, pois era vista como uma manifestação folclórica que até cativava os muçulmanos e os levava a nela participarem com alegria. Surgiu a Reconquista em 1166 e os novos povoadores cristãos também a aceitaram, talvez porque o dia de S. João sempre foi um dia especial para os lavradores alentejanos, prova disso foi o Regimento imposto no reinado de D. Afonso V (1438-1481) que determinava que os lavradores fizessem escrever e assentar todo o seu gado, anualmente, no dia de S. João. Por esse tempo, também a “governança” da cidade tinha como referência o dia de S. João, em 6 de Abril de 1501, o Rei D. Manuel I manda “que façam a eleição dos almotacés por um ano somente e que começará por S. João de 1501, em diante”. Também existem diversos documentos relativos à promoção de funcionários da Câmara com referências ao dia de S. João.
Porque é São João e não São Pedro
