O crescimento económico e demográfico dos séculos XII e XIII, no território que viria a constituir Portugal, permitiu a criação de excedentes, que eram objecto de escoamento nos mercados e feiras. Com o crescimento populacional dos centros urbanos, o consumo aumentou, acentuando-se a dependência da vila face ao extenso termo. As feiras foram uma das mais importantes instituições do período medieval em Portugal. Como no restante da Europa, as feiras portuguesas constituíram-se num espaço de encontro de produtores, consumidores e distribuidores, realizando-se em datas e locais fixados, ao mesmo tempo em que procuravam superar as dificuldades de comunicação. A sua importância económica é inquestionável, testemunhando-o a protecção dispensada às mesmas pelos sucessivos monarcas, que concediam privilégios, na vinda e na ida, aos mercadores que a elas concorressem. Importa distinguir a feira – que tinha lugar anualmente, destinando-se ao comércio grossista e de grande distância -, do mercado, com uma ocorrência semanal ou mensal, voltado para o mercado retalhista. Além disso, quase todas as feiras se realizavam em épocas relacionadas com festas da igreja Católica e, no local onde se realizavam, existia uma paz especial, a chamada “paz da feira”, que proibia todos os actos de hostilidade, sob severas penas em caso de transgressão. E por acaso sabe qual é a mais antiga feira portuguesa? Bem, isso vamos ver na edição de amanhã do Sete Minutos aqui na Feira de São João.
Origem e Evolução das Feiras – Actu IV
