Um minúsculo texto sem nexo nenhum

Elefante na couve

Embora seja órfão de ambos os genitores e tenha vivido no século XVII, certo dia peguei numa caneta esferográfica sem tinta e resolvi redigir um e-mail que dizia o seguinte: “Meu querido pai, escrevo para lhe dizer que ontem fez uma bela noite! O Sol brilhava entre as trevas. E eu, sentado numa pedra de pau, à sombra de uma árvore sem troncos nem galhos, escutava atentamente um mudo que estava sozinho e dizia em voz baixa aos seus companheiros surdos: ‘Prefiro mil vezes a morte à vida!’. Ao longe, próximo dali, havia um bosque sem árvores. Os pássaros saltavam de galho em galho, e os elefantes descansavam à sombra de um pé de couve. Corri devagar em direcção à minha casa, e entrei pela porta dos fundos que fica na frente. Como já era cedo, deitei a roupa na cama e pendurei-me no cabide, onde, após dormir um bom e extenso sono de 5 segundos, sonhei que estava acordado. Então, dei marcha a ré e naveguei para a casa de banho, onde me serviram o jantar. Depois de ter comido o guardanapo, limpei a boca com o bife, olhei para o lado e vi um cego a ler um jornal religioso sem letras, que dizia: Os quatro evangelistas são três: Chico e Miquelino!”.

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